Como é estudar na Itália? Como são as universidades italianas? Quais são os principais desafios a serem enfrentados nessa trajetória? Se está pensando em estudar na Itália, este é um texto feito para você, pois vou abrir o jogo e contar quais foram os meus maiores desafios durante o mestrado em psicologia.
Já vou avisando que este artigo será um pouco diferente dos outros, pois terá uma “pegada” mais pessoal. Vou contar a minha aventura pessoal na universidade italiana. Inclusive peço que você escreva nos comentários se gosta deste estilo.
Eu também fiz um vídeo sobre esse assunto, vale a pena conferir. Estudar na Itália: os desafios
• Estudar na Itália
Meu sonho sempre foi estudar fora do país, pois sempre fui uma pessoa muito curiosa. Sempre amei o setor de Recursos Humanos, mas especifico: a área de desenvolvimento pessoal. Me lembro quando eu estava na pós-graduação em psicologia do trabalho, no Brasil. Eu ficava “viajando na maionese” pensando: “será que todo mundo aplica e usa estas técnicas?”.
Sempre achei que o mundo é muito rico e que podemos aprender com as outras pessoas e outras culturas. Enfim, vim para a Itália em dezembro de 2011 passar as férias de Natal e decidi ficar. Loucura, loucura, loucura…
Se quiser saber toda minha história e tudo o que eu aprendi, baixe aqui o meu e-book gratuito: Viver e trabalhar na Itália: 13 erros que você não pode cometer!
Uma das coisas que me motivou a ficar aqui na Itália foi a possibilidade de poder estudar na Itália e abrir a minha mente para um outro ponto de vista. Quando se decide estudar na Itália, é preciso passar por estes três passos:
- Documentação – Neste passo deve-se ter muita paciência, pois às vezes é demorado. O que eu fiz: traduzi TODOS os meus históricos escolares, depois apresentei no consulado italiano no Brasil e por fim entreguei para a universidade aqui na Itália.
- Dinheiro para pagar – Consegui uma bolsa de estudo integral.
- Qual universidade estudar – Pesquisei a melhores universidades na minha área.
Passados estes três passos e depois da matrícula na universidade, começam outros desafios.
Estudar na Itália: os meus maiores desafios

a) A língua italiana
Me lembro muito bem do meu primeiro dia de aula… O acaso quis que eu começasse com uma aula de Freud, assim eu me assustaria de uma só vez. Nossa, eu não entendia nada daquilo que o professor falava.
Eu fiquei triste porque eu pensava: “sou fluente em italiano e não tenho a capacidade de entender o que o professor fala”. Que tragédia!
Eu já escrevi um artigo sobre como aprender italiano para trabalhar. Vale a pena ler!
Depois de um momento de desespero inicial, arregacei as mangas e comecei a pensar como eu poderia aprender a linguagem técnica da psicologia e finalmente entender as aulas. O que eu fazia?
- Registrava o áudio das aulas.
- Transcrevia o áudio.
- Procurava o significado das palavras que eu não entendia.
- Estudava até saber tudo.
Eu sei, eu sei, um trabalhão, mas valeu a pena!
b) Provas orais
Eu não sei quem teve essa ideia “genial” de provas orais. ☺️ Ironia à parte, eu nunca tinha feito prova oral na minha vida, pelo menos que eu me lembrasse. Aqui todas as provas eram orais. Eu acho que somente na prova de estatística não foi assim (por motivos óbvios).
Eu achei a prova oral muito difícil, pois uma coisa é você saber o conteúdo estudado, uma outra coisa é você saber explicá-lo. Principalmente quando você é um estrangeiro que acabou de chegar na Itália.
Foi um grande obstáculo para mim, mas eu superei fazendo resumos e repetindo o conteúdo muitas vezes em voz alta. Além disso, eu criava uma espécie de documento “perguntas e respostas” e fazia perguntas para mim mesma.
Vou contar somente um episódio – prova oral de sociologia
Talvez você nunca tenha percebido, mas cada área de conhecimento tem uma linguagem própria, por exemplo: psicologia, filosofia, estatística, sociologia, etc.
Aos pouquinhos fui me acostumando com os termos da psicologia e os aprendendo. Porém, cada vez que mudava a área de conhecimento, os desafios eram imensos. E foi isso que aconteceu comigo quando fui fazer a prova de sociologia.
Nossa, eu tinha estudado muito e sabia o conteúdo “de cor e salteado”, mas na hora da prova, eu falava como uma criança que tenta explicar a mecânica de um foguete. Você consegue imaginar a cena?
Tenho que dizer que foi muito frustrante, mas para aprender uma linguagem técnica, precisa de tempo. Infelizmente, às vezes não temos este tempo.
Para encorajar você…
Hoje eu sou assistente de professor na mesma universidade na qual estudei e sou eu quem faz as perguntas para os alunos. Estou aqui para te dizer: se eu consegui, você também pode!

c) Não poder “falar” durante as aulas
Estava acostumada com as aulas no Brasil onde tem um bate-papo, as aulas são bem dinâmicas e as turmas são pequenas. Aqui é bem diferente. As salas são enormes, com 150 alunos.
Isso porque eu estava fazendo mestrado, as aulas de graduação são mais cheias ainda, chegando a ter 500 alunos. Você pode imaginar o tamanho dessas salas?
Os professores usam microfone e obviamente a interação entre os alunos cai muito.
Eu, com a minha mentalidade “brasileira”, quando tinha alguma coisa que não entendia ou tinha alguma curiosidade, simplesmente levantava a mão para fazer perguntas. Me lembro das primeiras vezes que fiz isso, meus colegas de classe me cutucavam para que eu parasse de fazer perguntas.
Tenho que confessar que não mudei este hábito de fazer perguntas e acabei influenciando meus colegas. Foi tanto que um dia o professor falou assim: “Alguém tem alguma pergunta para fazer, tirando o grupo da primeira fila?”
Obviamente o grupo da primeira fila era onde eu estava! 😊
d) Formalidade
Aqui na Itália existe uma distância muito grande entre o professor e os alunos. No Brasil, é muito comum que os alunos fiquem amigos dos professores e que saiam para jantar juntos no final do semestre. Por exemplo: eu mantenho o contato com muitos dos meus professores brasileiros.
Eu “paguei muitos micos” por aqui. Depois que conheci os professores, jurava que podia “dare del tu” (usar linguagem informal) com eles. Então eu abria o meu sorrisão e dizia “CIAOOOOOO”! Meus colegas de universidade “morriam” comigo. Eles me explicavam que eu não podia falar assim. Moral da história: na Itália, não interessa o tempo que você conhece um professor, você SEMPRE vai “dare del Lei” (linguagem formal), a não ser que ele diga para você que não precisa.
Eu consegui me aproximar de alguns professores e inclusive trabalho com alguns deles, porém a formalidade permaneceu.
Não digo que este seja um aspecto negativo, mas sem dúvida é um aspecto a ser respeitado.

Esses foram os meus principais desafios e espero que minha experiência seja útil para sua vida! Você estudou aqui na Itália? Quais foram os seus desafios? Conte nos comentários! Com certeza vou me identificar com alguns.
Proximamente vou falar sobre as curiosidades das universidades italianas. Inscreva-se na minha newsletter e fique por dentro de todas as novidades do mercado de trabalho italiano. Afinal, o passo sucessivo a estudar na Itália é trabalhar na Itália.
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2 comments
Solange Martinho
16 fevereiro 2020 at 20:48
Viva Marcela!
É muito bom ter conhecido um pouquinho dz tua experiência na Itália enquanto aluna universitaria. Ainda não li o teu livro, mas assim que terminar a minha mudança de residência, o farei.
Também sou universitária em Portugal, pois já vivo cá há mais de vinte anos. No momento estou cursando o primeiro ano de doutorado em ética, democracia e problemas societais (embora já tenha cursado outros dois doutorados em outras áreas (sem conclui-los) por razões financeiras e de saúde. Penso em fazer uma parte dos meus estudos na Roma Tre depois de terminar o segundo semestre pir cá. Eu não falo italiano, e sei que esta é uma barreira que terei que ultrapassar, mas sei que vou conseguir. Bem, vamos nos falando. Grande abraço e votos de sucessos para ti!
Marcela Oliveira
26 fevereiro 2020 at 18:30
Boa tarde Solange!
Nossa que legal a sua história e cheia de desafios. Ler o e-book sim! Assim você pode entender mais sobre o mercado de trabalho italiano. Aqui vai o link:http://www.marcelaoliveira.it/pt/ebook/
Muito obrigada e sucesso para você também,
Marcela